sexta-feira, abril 28

A quem nos quer bem!

“Talvez não tenhamos começado isto da melhor forma. O início. Afinal nunca falámos directamente do porquê de vos termos deixado.”



Os projectos são e serão sempre para mim, e acho que posso falar também em nome da Sofia, algo excitante que nos deixa muito entusiasmadas e com vontade de fazer tudo aqui e agora. A verdade é que tenho vindo a perceber que nada se faz aqui e agora. As coisas levam tempo a acontecer e por mais que possamos correr, a vida tem sempre uma velocidade preparada para que as coisas nos aconteçam num determinado momento.

Quando partimos nesta aventura não sabíamos bem o que íamos encontrar, ou pelo que íamos passar, mas esperávamos encontrar aqui uma forma de transformar algum stress e excitação em algo produtivo. Certo é, que uma mudança tem tanto de empolgante quanto de assustador e nem sempre é fácil encontrarmos o nosso momento para exteriorizar tudo aquilo que nos acontece diariamente.

Talvez não tenhamos começado isto da melhor forma. O princípio. Afinal nunca falámos directamente do porquê de vos termos deixado. Aqui vai:


No dia da Liberdade fez exactamente 2 anos que deixei aquele que foi o meu primeiro trabalho. Coincidência? Não acredito nelas! Comecei a 1 de Agosto de 2013 e curiosamente estava com a Sofia quando me ligaram do supermercado em questão a dar a notícia de que tinha ficado com o trabalho. Comecei com muito entusiasmo misturado com nervosismo sem saber o que ia fazer. Disseram-me hoje ficas com a Cristina e percebi que ia para as caixas. Tinha feito 18 anos em Dezembro e queria ganhar o meu próprio dinheiro, escolhi não ir para a faculdade antes disso, mas essa história fica para outra altura. Comecei com um contrato temporário para substituir uma mulher que estava de licença de maternidade, depois foram renovando até que o último dizia 25 de Abril e desde então brinquei que seria o dia que ia mesmo sair. Estava longe de imaginar para quão longe.

O entusiasmo do primeiro dia foi desaparecendo, comecei a ficar desmotivada por ver a falta de respeito que tinham para com aqueles que tentavam todos os dias dar o seu melhor. Fui faltando, deixando de fazer favores, respondendo a quem “não devia” até ter quase a certeza de que não me iriam renovar o contrato, e assim foi. 25 de Abril não foi o meu último dia fisicamente, porque tinha férias marcadas antes disso e fui avisada um dia antes de que já não iria voltar. Agradeci pela oportunidade. No fim das contas foi a minha primeira experiência profissional. Tive a oportunidade de lidar com o público nas caixas, fui florista por alguns “minutos”, trabalhei no café, na padaria, na reposição, fiz de tudo um pouco e gostei. Lidei com pessoas que não sabem lidar com os outros e com outras que merecem mais do que aturar gente daquela. Cresci e deu-me um pouco de bagagem para a viagem que vinha a seguir. Conheci, creio eu, algumas das pessoas que me querem bem e que considero amigos até hoje. Apesar da distância, e de ser “desligada”, não esqueço as memórias e todas as coisas que ficam.

O meu pai tinha um casal amigo em Inglaterra e a minha mãe começou com a ideia de querer vir para cá. Eu só queria mudar, sentir que estava a fazer algo de novo porque estava farta da rotina. Não foi fácil. Como a maioria a primeira ideia era ir para Londres, até porque era lá que estava esse casal. Começámos a perceber que era demasiado caro e a minha mãe, que estava desesperada por se vir embora, todas as noites procurava no google maps, no booking e em todo o lado, lugares para ficarmos. Lembro-me de uma noite estarmos a navegar no maps em Manchester e depois Liverpool e quando vi água disse que era ali, e assim foi. Hoje tenho uma vista incrível sobre o rio Mersey.

O caminho não é fácil e se fosse não valia a pena. Para quem pergunta quando vou voltar a resposta é não sei. Tenho descoberto que por mais planos que faça acabo sempre no outro lado da página. Uma coisa é certa, não estou destinada a ficar no mesmo lugar para sempre, e como podia com um Mundo inteiro por descobrir?


Tentamos sempre dar o nosso melhor, mas há sempre coisas que nos ultrapassam. Desculpem todos aqueles que nos querem bem pela ausência. Toda ela.  

Saudade sempre.